Grávidas se protegem de riscos do zika vírus
- helenabrigido
- 7 de fev. de 2016
- 2 min de leitura
Desde que viu as primeiras notícias associando os casos de microcefalia ao zika vírus, a publicitária Carolinne Santos, 23 anos, tem o repelente como uma companhia constante. Grávida de 5 meses e atenta às notícias relacionadas ao vírus em todo o mundo, a futura mamãe não mede esforços para evitar ao máximo o contato com o transmissor da doença.
Com a notificação do primeiro caso do problema no Pará, a preocupação de Carolinne com a questão também foi crescendo - e os cuidados redobrados. Além dos repelentes, ela deixa as janelas e portas sempre fechadas. “Eu evito ficar saindo muito. E, quando eu saio, procuro ir sempre para locais fechados”, afirma.
Para Carolinne, o ideal seria a maioria das pessoas ter a mesma preocupação. “Se as pessoas não tomarem precauções, vai ser difícil combater o zika”. Além de ocasionar sintomas como febre, dores nas articulações, aparecimento de coceira e manchas vermelhas pelo corpo, o zika pode ter consequências graves para bebês que ainda estão sendo gerados no ventre materno.
A infectologista e epidemiologista Helena Brígido aponta: por apresentar um tropismo (resposta a um estímulo externo) pelo sistema nervoso, o zika vírus pode ocasionar o desenvolvimento de microcefalia – quando o bebê nasce, aos nove meses de gestação, com circunferência do crânio menor do que 32 centímetros. “O risco é maior no primeiro trimestre da gestação, porque é nesse momento que está se formando o sistema nervoso central do feto”.
Segundo a infectologista, os riscos diminuem à medida que o período da gestação vai avançando. Independente disso, porém, é imprescindível que as mães se mantenham vigilantes contra o mosquito transmissor até o fim da gestação, já que outros problemas podem ser ocasionados pelo vírus, que afeta o sistema nervoso. “O zika também pode oferecer risco de má formação como problemas oftalmológicos e alterações nos ossos”, explica Helena Brígido.

PRÉ-NATAL
A infectologista recomenda que os exames para a verificação do vírus sejam realizados ao longo do pré-natal. “Ainda que a gestante não apresente sintomas, isso não significa que ela não possa ter o zika”, garante. Quando surgiram os primeiros casos de microcefalia relacionados ao vírus no Brasil, a jornalista Gleyci Frota, 26, estava no 4º mês de gestação. A primeira reação foi justamente a de realizar o exame. “Eu fiquei muito assustada e procurei logo o meu médico para saber que repelente eu poderia usar”, lembra. Apesar dos cuidados, hoje aos 7 meses de gravidez, a jornalista não esconde que a preocupação com a circulação do mosquito transmissor a acompanhará até o nascimento do bebê. “Qualquer mosquito que vejo por perto já penso que pode ser o Aedes aegypti. Eu fico com muito medo.”
(Cintia Magno/Diário do Pará)






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