COVID-19: Não é recomendada a sorologia para definir proteção vacinal.
- helenabrigido
- 30 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
De 18 de janeiro de 2021 a 26 de março de 2021, a vacinação AntiCOVID-19 no Brasil foi aplicada em torno de 10 milhões de pessoas. Há um baixo quantitativo em relação à população brasileira e a preocupação pertinente de todos sobre a imunização.
Enfatizar que VACINAR é simples ato da aplicação da vacina. IMUNIZAR é a proteção dada pela vacina contra o vírus Sarscov-2.
Para que ocorra a IMUNIZAÇÃO há toda uma reviravolta do organismo para a proteção, seja pela vacina (imunidade passiva ou artificial), seja pela própria doença (imunidade ativa ou natural).
Independentemente disso, a verificação de sorologias não traduz 100% a real proteção do indivíduo, pois pode ser influenciada pela presença de variantes do SARS-CoV-2 e a capacidade do organismo de neutralizar esses tipos de antígenos e serem apresentados os anticorpos em exames de sorologia.
É possível que ocorram escapes do vírus à resposta imune, com redução do potencial neutralizante dos anticorpos para as variantes, principalmente para a cepa B.1.351 (identificada na África do Sul) que é semelhante à P.1 (identificada em Manaus) que compartilha três mutações na proteína S do vírus SARS-Cov2: N501Y (também está presente na variante B.1.1.7 do Reino Unido), E484K e K401T/N. Há um aumento da transmissibilidade do vírus facilitando a invasão do vírus nas células humanas.
Pessoas jovens, por não estarem vacinadas, tem aumentado exponencialmente o número de infectados.
É preciso aguardar os resultados dos estudos da capacidade de neutralização dos anticorpos para as variantes para melhor entendimento da capacidade protetora das vacinas.
O exame laboratorial denominado de teste de neutralização pode medir a capacidade do soro de pessoas que já tiveram a doença (os convalescentes) e de vacinados para verificar o impedimento das diferentes linhagens do vírus na invasão de células em cultura, que são naturalmente suscetíveis a esta infecção.
Porém, a resposta imune desenvolvida por vacina ou infecção pelo próprio vírus é bem mais complexa e precisa de anticorpos não neutralizantes e da imunidade celular (células TCD4+ e TCD8+).
Assim, a dosagem de anticorpos neutralizantes para correlacionar se a vacina X ou Y está em determinado nível não traduz a proteção desenvolvida após vacinação, não sendo suficiente, portanto, não é suficiente para concluir sobre a proteção vacinal contra o SARS-CoV-2.
Importante ressaltar que há necessidade de mínimo de duas a quatro semanas para produzir anticorpos, que a nenhuma vacina tem 100% de eficácia e, por isso, pode não haver produção de anticorpos. Assim, a ausência de anticorpos em quantidade suficiente pode dar a falsa impressão de não ação da vacina, assim como a presença pode induzir a população ao relaxamento das outras estratégias de prevenção (uso de máscaras, não aglomerar e higienização das mãos).
Fonte:
Nota Técnica SBIm 26/03/2021. SBIm não recomenda a realização de sorologia para avaliar resposta imunológica às vacinas COVID-19. Mônica Levi José Eduardo Levi.
https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-tecnica-sbim-sorologia-pos-vacinacao-210326.pdf
Site: www.sbim.org.br
REFERÊNCIAS UTILIZADAS NO DOCUMENTO
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