Raiva Humana transmitida por morcego em Melgaço (Pará)
- helenabrigido
- 13 de mai. de 2018
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Na comunidade rural Rio Laguna, no município de Melgaço, a Secretaria de Saúde do Estado do Pará (SESPA) confirmou caso de raiva humana transmitida por morcego em um menino de nove anos, que faleceu na Fundação Santa Casa de Misericórdia, em Belém do Pará. Há outras crianças com quadro sugestivo de raiva humana.

O diagnóstico é realizado com amostras de soro, saliva, biopsia da nuca e líquido da medula. O material é analisado pelo Instituto Pasteur, em São Paulo, referência nacional para suspeita de casos de raiva. As equipes de saúde estão no local com ações permanentes para vacinar os casos expostos, aplicar soro antirrábico e fazer controle da diminuição dos morcegos com a captura dos animais aplicando uma pasta no dorso do morcego. Assim, ressecam e morrem.

Estão sendo disponibilizados mosquiteiros à população, além de vacinação antirrábica. Esta tem efeito temporário, não produz anticorpos permanentes (por toda a vida). Assim, após 90 dias, se houver nova mordedura, o ideal é aplicar duas doses de reforço. Na situação de Melgaço, a SESPA informou que está realizado vacinação pré-exposição e pós-exposição. Para evitar novos casos, deveria ocorrer a vacinação no calendário habitual nas localidades de risco, pois a maioria da população é agredida sem percepção.
Na Pré-exposição estão aplicando 3 doses: 0, 7 e 28 dias. Na Pós-exposição a aplicação está ocorrendo em 0, 3, 7 e 14 dias. O objetivo é de vacinar todas as pessoas agredidas ou não.
RAIVA HUMANA
O primeiro caso de cura de raiva humana no Brasil e o sucesso terapêutico de paciente dos Estados Unidos, fez com que o Ministério da Saúde elaborasse o primeiro protocolo brasileiro de tratamento para raiva humana baseado no protocolo americano de Milwaukee. A reunião ocorreu em na capital de Pernambuco, por isso é conhecido como o Protocolo de Recife.
A raiva é uma encefalite (inflamação do encéfalo) viral aguda, uma zoonose (envolve animais) transmitida para o homem pelo vírus denominado Lyssavirus através de mordidas e arranhaduras de mamíferos como cães, gatos, raposas, guaxinins, gambás e morcegos.
A transmissão da doença acontece quando o vírus da raiva, presente na saliva do animal infectado, penetra no organismo, através da pele ou mucosas por mordidas, arranhões, lambidas ou pelo contato com a mucosa dos animais infectados que podem ser principalmente os cães, gatos e morcegos.
Em zonas rurais o morcego é o maior transmissor para bovinos, equinos, suínos e humanos. Devido ao neurotropismo (tropismo pelo sistema nervoso), ocorre encefalite (inflamação do encéfalo) com confusão mental, desorientação, agressividade, alucinações, dificuldade de engolir, paralisia motora e espasmos.
A vacinação antirrábica de animais domésticos é importante como prevenção da doença. Deve ser aplicada a vacina em animais sadios a partir do terceiro mês de vida. A dose deve ser repetida anualmente.
Para controle, deve também haver a captura de animais de rua e busca ativa de pessoas expostas a animais suspeitos de raiva.
A notificação é importante e obrigatória.
Em caso de agressão por qualquer animal, deve-se lavar imediatamente a lesão com água e sabão e verificar indicação de profilaxia antirrábica com vacina e/ou soro.
Se os animais forem cães ou gatos, devem ser mantidos em observação por dez dias após a agressão, avaliando se haverá sintomas da doença ou óbito.
Leia sobre o PROTOCOLO DE MILWAUKEE EM CASOS DE RAIVA HUMANA.
Ler mais em sobre os casos de Melgaço (Pará) em:
http://m.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-507637-cinco-criancas-morrem-no-para-sob-suspeita-de-raiva-humana.html
Foto: portaltailandia






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