MENINGITES AGUDAS - Sintomas e tratamento e Prevenção
- Helena Brígido
- 5 de mar. de 2019
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1. CONCEITO
A meningite é a inflamação das meninges que são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por bactérias, vírus, protozoários, fungos, traumas, infecções próximas (sinusite, otite etc). É considerada como doença potencialmente grave com possibilidade de óbito.
2. CLASSIFICAÇÃO DAS MENINGITES INFECCIOSAS
2.1 MENINGITES AGUDAS
As bactérias e vírus são os principais causadores de meningites agudas e são altamente contagiosos, ocasionando surtos e epidemias.
As meningites por bactérias são causadas principalmente pela Neisseria meningitidis, - o meningococo (meningite meningocócica), Streptococcus pneumoniae, - o pneumococo (meningite pneumocócica); Haemophilus influenzae tipo B.
Sobre o meningococo, no Brasil, existem vários sorogrupos circulantes: A, B, C, E, H, I, K, L, W, X, Y e Z. Os sorogrupos A, B, C, Y, W e X são os principais responsáveis pela ocorrência da doença invasiva. O sorogrupo C é o mais prevalente no Brasil.
As meningites virais podem ser causadas por enterovírus, arbovírus, principalmente o vírus da febre do Nilo Ocidental, vírus do sarampo e caxumba; HIV, adenovírus, herpes (tipo 1 e 2, catapora, Epstein-Barr, citomegalovírus).
2.2 MENINGITES CRÔNICAS
As meningites crônicas geralmente ocorrem em pessoas debilitadas, imunodeficientes e são causadas pela bactéria da tuberculose (Micobacterium tuberculosis) ou por fungos, principalmente pelo criptococo (Critptococus neoformans).
3. RESERVATÓRIO DO MENINGOCOCO
A nasofaringe é o local de colonização do microrganismo caracterizando o estado de portador que é maior que 10% em determinadas faixas etárias nos períodos endêmicos.
4. TRANSMISSÃO DAS MENINGITES AGUDAS
Geralmente, passam de uma pessoa a outra por meio das vias respiratórias, saliva, gotículas e secreções do nariz e da garganta (tosse, espirro, fala).
Muitas pessoas podem não ter sintomas, mas transmitem.
Nas meningites virais, a transmissão pode ocorrer pela por gotículas de nariz e boca. Se for causada por enterovírus, que habitam o intestino, podem ser transmitidas pelas fezes.
O período de transmissibilidade ocorre até que o meningococo não esteja mais na nasofaringe. Geralmente, a eliminação ocorre após 24 horas de antibioticoterapia.
5. SINTOMAS DA MENINGITE AGUDA
Na meningite meningocócica, o período de incubação (tempo entre ter adquirido a bactéria e manifestar os sintomas) é de 24-36h, podendo variar de 2 a 10 dias.
O início pode ser súbito com febre, dor de cabeça e rigidez na nuca (dificuldade em encostar o queixo no peito) e outros sinais de iirtação meníngea, além de náuseas, vômitos em jato, fotofobia (incômodo com luz), confusão mental, manchas avermelhadas/arroxeadas no corpo (quando há disseminação com alteração da coagulação sanguínea).
Pode ocorrer diarreia, convulsão e coma.
Nos recém-nascidos e bebês, podem não ocorrer os sintomas citados. Estão presentes irritabilidade, vômitos, gemidos, sonolência, dificuldade de sugar o leite, fontanela (moleira) elevada. Pode ocorrer hipotermia (baixa de temperatura).
6. MENINGOCOCCEMIA
Pode ocorrer a meningococemia que é uma infecção no sangue causada pelo meningococo (Neisseria meningitidis) e ocorrer: manchas avermelhadas/arroxeadas por todo o corpo, extremidades frias, dor muscular e de articulação, diarreia. Pode ocorrer hipotensão arterial, diarreia, dor abdominal, dor em membros inferiores e rebaixamento do sensório,
Quando isso ocorre, pode não ter a inflamação nas meninges, mas o caso é muito grave.
Nas meningites crônicas, os sintomas ocorrem de forma lenta e, em algum momento, tornam-se rapidamente perceptíveis: dor de cabeça intensa, irritabilidade, confusão mental, náuseas e vômitos. Nem sempre tem febre e rigidez de nuca. Podem levar ao coma e morte. São potencialmente graves.
7. DIAGNÓSTICO DA MENINGITE
O diagnóstico é clínico-laboratorial. Diante do quadro clínico sugestivo devem ser solicitados exames de sangue, Líquido Cefalorraquidiano (LCR) e hemoculturas.
A análise do LCR é fundamental para o diagnóstico. É um líquido incolor que circula o cérebro e a medula espinhal. Possui várias substâncias que modificam na quantidade quando há bactérias, vírus, fungos, protozoários, acidente vascular cerebral (AVC), câncer e traumas: proteína, glicose, lactato, enzimas, potássio, magnésio e cloreto de sódio.
A coleta da amostra de LCR pode ser realizada por três vias, mas a lombar é a mais utilizada. Diante da análise do LCR pode-se definir a origem da meningite e direcionar o tratamento.
8. TRATAMENTO
Se a meningite for causada por vírus, o tratamento é com medicamentos para os sintomas. Se for bacteriana, o caso deve ser imediatamente tratado com antibióticos e medidas de suporte.
Nas meningites crônicas, o tratamento é específico contra o agente: medicamentos para tuberculose e antifúngico.
9. PREVENÇÃO
9.1. VACINAS
PARA MENINGITE MENINGOCÓCICA
É importante que o paciente tenha anticorpos no momento do contágio, portanto, estar vacinado.
A vacinação é importante para todas as idades para reduzir o contágio e disseminação do agente.
De todos os vários sorogrupos do meningococo, seis se destacam e, por isso, há vacinas contra eles: A, B, C, W135, X e Y.
No Brasil, nos postos de saúde, a vacina para o tipo C está disponível no Calendário de Vacinação do Programa Nacional de Imunização.
Doses:
- duas doses aos 3 e 5 meses de vida.
- Reforço aos 12 meses e 4 anos de idade
- Adolescentes entre 12 e 14 anos
- Pessoas com imunodeficiências - nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.
PARA OUTRAS MENINGITES
Na rede privada há disponibilidade de vacinas para os outros tipos de sorogrupos do meningococo: B e ACWY.
Na rede pública também há vacinas para prevenção de meningite não meningocócica:
- Vacina pneumocócica 10-valente: contra a bactéria Streptococcus pneumoniae.
- Vacina Pentavalente: contra a bactéria Haemophilus influenzae sorotipo b;
- Vacina BCG: contra as formas graves da bactéria que causa tuberculose.
9.2 OUTRAS FORMAS DE PREVENÇÃO
Evitar aglomerações e contato íntimo com portadores, manter ventilação em ambientes, higiene das mãos e de maneira geral na residência, quarteis, escolas, creches, abrigos etc.
9.3. QUIMIOPROFILAXIA
Não há proteção absoluta e prolongada, mas podem ser utilizados medicamentos nas primeiras 48 horas a partir do primeiro caso. O risco de adoecer entre os contatos é maior nos primeiros dias após o início da doença, por isso são utilizados medicamentos preferencialmente até 48 horas da exposição ao paciente, considerando o período de transmissibilidade e o período de incubação da doença.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Em qualquer caso de febre, dor de cabeça, irritabilidade, vômitos, procure um médico em locais de urgência e emergência. Um diagnóstico rápido significa tratamento imediato e demais condutas que podem diminuir complicações, sequelas e morte.
Mantenha a vacinação em dia.






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